Hialuronidase dói? O que você sente na sessão e nos dias seguintes
A picada, a ardência que vem logo depois e o inchaço dos dias seguintes. Como é a sessão para dissolver o preenchimento, o que muda o desconforto e quando a enzima não deve ser aplicada.
Quem pesquisa se hialuronidase dói quase nunca está curioso. Está incomodado com um preenchimento que ficou grande, torto, migrou ou nunca pareceu seu, e quer saber quanto vai custar desfazer, no corpo e não no bolso.
A resposta curta: dói, sim, e costuma ser uma dor breve. Quase todo mundo descreve uma ardência mais intensa que a do preenchimento original, que dura pouco e passa sozinha. O que vem depois, nos dias seguintes, incomoda mais pelo aspecto do que pela dor.
A resposta útil é mais longa, porque o desconforto depende de onde, de quanto e de por que a enzima está sendo aplicada.
O que a hialuronidase faz
A hialuronidase é uma enzima. Ela quebra as ligações do ácido hialurônico, e o corpo absorve os fragmentos. É por isso que ela desfaz preenchimento de ácido hialurônico, e só esse tipo. Bioestimulador, silicone, PMMA e outros materiais não respondem a ela.
Um detalhe que muda a expectativa: ela age melhor onde consegue chegar. Se o produto está concentrado num ponto, a enzima precisa ser distribuída ali dentro. Se o produto se espalhou ou está em vários planos, o trabalho é maior. Por isso a pergunta "hialuronidase dói?" depende muito de uma pergunta anterior: onde está o preenchimento que você quer tirar?
Como é a sessão
A sessão tem três partes, e a picada é a mais rápida delas.
Avaliação e mapeamento. Antes de qualquer agulha, é preciso saber o que existe ali. Muita gente chega sem saber qual produto recebeu, quando, ou em que profundidade. Aqui usamos ultrassom Doppler nessa etapa: ele mostra onde está o material de aplicações anteriores e como está a anatomia vascular da região. Isso define onde a enzima entra e quanto dela é necessário. Sem essa imagem, aplicar a enzima vira tentativa.
Aplicação. A enzima é injetada diretamente no local onde está o produto, com agulha fina ou cânula, conforme a região. São poucas punções quando o produto está bem localizado e mais quando está espalhado.
Checagem depois. O ultrassom volta no final, para confirmar que não há compressão de vaso ou artéria e ver como o produto começou a responder.
A parte em que você sente alguma coisa dura poucos minutos. O resto da sessão é olhar, medir e decidir.
Hialuronidase dói? Como é a sensação
Existem três sensações diferentes, e vale separar.
| Momento | O que se sente | Quanto dura |
|---|---|---|
| A picada | Igual à de qualquer injeção fina no rosto | Segundos |
| A ardência | Queimação quando a enzima entra no tecido | Alguns minutos |
| O depois | Sensibilidade ao toque, inchaço, sensação de "pele cheia" | Horas a poucos dias |
A ardência é o que surpreende. Muitos preenchedores de ácido hialurônico já vêm com anestésico misturado no próprio gel, e a hialuronidase não tem esse conforto embutido. Por isso quem se lembra de um preenchimento tranquilo às vezes estranha a dissolução.
O que aumenta o desconforto:
- Lábio. Região muito inervada. É onde a sensação costuma ser mais intensa.
- Olheira. A pele é fina e a região é sensível, embora ali o volume aplicado costume ser pequeno.
- Produto espalhado ou em vários planos. Mais pontos de aplicação, mais tempo de agulha.
- Inflamação já presente. Se o local está inchado, dolorido ou com nódulo inflamado, tudo dói mais, inclusive a enzima.
O que diminui:
- Anestésico tópico antes, quando a região permite.
- Gelo antes e depois.
- Aplicação lenta e bem distribuída, em vez de volume grande de uma vez.
Nossa opinião: a dor da hialuronidase é o menor dos custos da dissolução. O que deveria preocupar quem está pensando nisso é dissolver sem mapear, dissolver mais do que precisa, ou dissolver o que não é ácido hialurônico. Dor passa em minutos. Esses outros erros ficam no rosto.
Como se aplica a hialuronidase
Por injeção, no próprio local do produto. Não existe versão tópica que atravesse a pele e alcance o preenchimento, e não existe forma segura de fazer isso em casa. A enzima é medicamento e precisa ser aplicada por profissional habilitado, que saiba o que está dissolvendo e onde.
Em alguns casos, uma sessão resolve. Em outros, especialmente com produto de maior densidade ou em volume grande, é preciso reavaliar e reaplicar depois de alguns dias. Isso não quer dizer que a primeira sessão falhou. Dissolver aos poucos é, muitas vezes, a escolha mais segura.
Quanto tempo a hialuronidase leva para dissolver o preenchimento
A enzima começa a agir logo depois da aplicação. Em muitos casos a mudança já aparece nas primeiras horas ou no dia seguinte, mas o resultado só pode ser avaliado de verdade depois que o inchaço da própria aplicação baixa.
O ritmo varia com o tipo de produto, a quantidade, o tempo que ele está ali e o quanto foi integrado ao tecido. Não existe prazo único e confiável para todos os casos, e desconfie de quem promete um.
Sem a enzima, o ácido hialurônico só vai embora pela absorção natural, que leva meses. Para quem está incomodado, essa diferença de tempo é a razão de a hialuronidase existir.
Quantos dias para desinchar
O inchaço é normal e esperado. Parte vem da própria injeção, parte do processo de degradação do produto. Costuma ser mais visível nas primeiras 24 a 48 horas e ir cedendo nos dias seguintes. Em lábio e olheira ele tende a chamar mais atenção.
Se o inchaço aumenta em vez de diminuir, vem com vermelhidão que se espalha, calor, dor crescente ou coceira intensa, é para avisar a clínica no mesmo dia. Esse padrão pede outra conduta.
Um alerta: não julgue o resultado nos primeiros dias. A região inchada engana. Por isso a reavaliação acontece depois.
O que fazer e o que não fazer depois da hialuronidase
Faça:
- Gelo nas primeiras horas, com proteção entre o gelo e a pele.
- Cabeça mais elevada na primeira noite, se houver inchaço.
- Observe a região e avise se aparecer algo fora do esperado.
- Volte na reavaliação combinada.
Evite, nas primeiras 24 horas ou pelo período orientado:
- Massagear a região por conta própria.
- Exercício intenso, sauna e calor excessivo.
- Álcool.
- Maquiagem sobre os pontos de aplicação.
- Marcar novo preenchimento na mesma semana. O tecido precisa assentar antes de qualquer decisão nova.
Quais são os riscos da hialuronidase
A enzima é usada há muitos anos, e a bula aprovada pela FDA descreve seus efeitos esperados. Os principais riscos:
- Reação local. Inchaço, vermelhidão, sensibilidade e hematoma. São os mais comuns e costumam passar em poucos dias.
- Alergia. A hialuronidase pode ser de origem animal ou recombinante, e reações de hipersensibilidade existem. São incomuns, mas por isso a história de alergias entra na avaliação, e em alguns casos se faz teste antes. Se o tema é alergia ao ácido hialurônico em si, há um artigo só sobre isso.
- Dissolver além do planejado. A enzima não escolhe entre o produto e o ácido hialurônico que o seu corpo produz. Vale ver a próxima seção.
- Resultado irregular. Quando o produto estava espalhado e foi dissolvido de forma desigual, a região pode ficar assimétrica até nova avaliação.
A hialuronidase destrói tecido natural?
Ela age sobre o ácido hialurônico, e o seu corpo também tem ácido hialurônico. Então, sim, atinge um pouco do que é seu. A diferença é que o organismo repõe o próprio ácido hialurônico continuamente, e o preenchimento aplicado não volta.
Na prática, algumas pessoas notam a região um pouco mais "vazia" logo depois da dissolução, especialmente quando havia muito produto por muito tempo e a pele se acostumou a esse volume. Isso costuma se acomodar com o tempo.
O que acontece se aplicar hialuronidase demais
O risco maior de exagerar é estético: a região fica com menos volume do que tinha antes do preenchimento, por um período, e a pessoa troca um incômodo por outro. Por isso preferimos dose ajustada e reavaliação a dissolver tudo de uma vez.
Mapear antes com ultrassom ajuda nisso. Quando se sabe onde está o produto, a enzima vai aonde precisa, e não no rosto inteiro.
A situação em que a dor deixa de importar
Existe um uso da hialuronidase que é emergência: quando o preenchimento comprime ou obstrui um vaso. Nesse cenário a enzima é aplicada com urgência, e o conforto da sessão sai da conversa.
É também por isso que o Doppler faz parte do procedimento aqui, antes e depois, e não só quando algo dá errado. Confirmar que não há compressão vascular transforma "está tudo bem" de impressão em verificação.
Quando não indicamos
- Quando o produto não é ácido hialurônico. A enzima não age sobre bioestimulador, silicone ou PMMA. Aplicar só expõe a pessoa ao risco sem benefício algum.
- Quando o que incomoda é inchaço recente de um preenchimento feito há poucos dias. Parte disso cede sozinha. Dissolver cedo pode tirar um resultado que ainda nem assentou.
- Quando há alergia conhecida à enzima ou histórico de reação que não foi esclarecido.
- Quando há infecção ativa na região. Primeiro trata-se a infecção.
- Quando o pedido é "tirar tudo" por insegurança momentânea, e a avaliação mostra um resultado proporcional. Às vezes o que resolve é ajustar um ponto. Dizemos isso.
- Gestação e amamentação, fora de situação de urgência. Procedimento eletivo se adia.
Perguntas frequentes
Hialuronidase dói mais que o preenchimento?
Para a maioria das pessoas, sim, no momento da aplicação. A enzima arde e não traz anestésico no próprio produto, como muitos preenchedores. A ardência é curta.
Precisa de anestesia?
Anestésico tópico e gelo costumam bastar. A decisão depende da região e da sensibilidade de cada pessoa.
Quando se nota o efeito da hialuronidase?
A mudança costuma começar nas primeiras horas ou no dia seguinte. O resultado real só pode ser avaliado depois que o inchaço baixa.
Precisa de mais de uma sessão?
Às vezes. Com produto denso, em volume grande ou espalhado, é mais seguro dissolver por etapas e reavaliar entre elas.
Quanto tempo depois posso fazer um novo preenchimento?
Depois que a região desinchou e foi reavaliada. Decidir novo preenchimento com o tecido ainda reagindo é a forma mais rápida de repetir o problema.
Posso aplicar hialuronidase por conta própria?
Não. É medicamento injetável, exige saber o que está sendo dissolvido e onde, e tem risco de reação alérgica.
O que forma o custo de uma dissolução?
A avaliação com imagem, a quantidade de enzima necessária, a quantidade de sessões e a complexidade da região. Por isso o plano só é definido depois de ver o que existe ali.
Leia também
Referências
- FDA — Vitrase (hyaluronidase injection), bula aprovada. https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/nda/2004/21-640_Vitrase_Prntlbl.pdf
- Anvisa — consulta de produtos registrados. https://consultas.anvisa.gov.br/
