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Sorriso gengival: quando a toxina resolve e quando não

Sorriso gengival tem quatro causas diferentes, e a toxina só trata uma delas. Como identificar a sua antes de aplicar — e por que o diagnóstico é odontológico.

4 min de leitura

O sorriso gengival — quando uma faixa de gengiva aparece acima dos dentes ao sorrir — virou uma das indicações mais divulgadas de toxina botulínica.

O problema é que ele tem quatro causas diferentes, e a toxina trata bem apenas uma. Aplicar sem saber qual é a sua produz um dos dois desfechos: resultado insuficiente, ou resultado que altera o sorriso de forma indesejada.

Este é um tema em que o diagnóstico é odontológico antes de ser estético.

As quatro causas do sorriso gengival

1. Hiperatividade muscular

O lábio superior sobe mais do que o esperado ao sorrir, porque a musculatura elevadora é muito ativa.

É a única que a toxina trata bem. Relaxar parcialmente esses músculos reduz a elevação do lábio e a gengiva aparece menos.

2. Excesso gengival

A gengiva recobre uma parte maior da coroa dentária do que deveria, deixando os dentes com aparência curta. O lábio pode estar subindo normalmente — o que sobra é gengiva.

A toxina não resolve. A abordagem é periodontal, com cirurgia de aumento de coroa clínica.

3. Alteração esquelética

Excesso vertical de maxila: o osso é mais alto do que o padrão, e isso expõe mais gengiva independentemente do lábio e da gengiva.

A toxina não resolve. A abordagem é ortodôntica ou ortognática, conforme o grau.

4. Lábio superior curto

O lábio tem comprimento reduzido em repouso, e mesmo uma elevação normal expõe gengiva.

A toxina resolve parcialmente, com limite estreito — e é o cenário em que mais se erra por excesso.

E frequentemente é mais de uma

Casos mistos são comuns, e é isso que torna o diagnóstico indispensável. Tratar o componente muscular de um caso predominantemente esquelético entrega uma melhora pequena que decepciona.

Como se identifica qual é a sua

A avaliação envolve medir e observar coisas específicas:

Note que três desses itens são exame odontológico. Avaliar sorriso gengival olhando apenas o movimento do lábio, sem examinar dentes e gengiva, é avaliar um quarto do problema.

É um dos pontos em que a formação em Odontologia não é adjacente ao tema — é central a ele.

Como a toxina trata o sorriso gengival

Relaxa parcialmente os músculos elevadores do lábio superior, reduzindo a altura que ele alcança no sorriso.

A margem é estreitíssima. Diferente da glabela, onde a dose tem alguma folga, aqui alguns pontos e uma dose pequena separam o resultado adequado de um sorriso alterado.

Os efeitos indesejados possíveis:

Todos temporários, e todos ligados a dose acima do necessário.

Duração

De três a quatro meses, uma das menores da face. A musculatura é delicada, a dose é necessariamente baixa, e a região está em movimento constante.

Isso significa manutenção mais frequente que em outras indicações — o que precisa entrar na conta antes de começar.

Quando não indicamos

Perguntas frequentes

Botox resolve sorriso gengival?

Resolve quando a causa é hiperatividade muscular. Nas causas gengival e esquelética, não — e nesses casos a indicação é outra.

Quanto tempo dura?

De três a quatro meses, uma das menores durações da face.

Pode alterar meu sorriso?

Pode, se a dose for acima do necessário. É uma região de margem estreita, e a conduta correta é começar conservador.

Como sei qual é a minha causa?

Por exame que inclua a boca: proporção das coroas dentárias, comprimento do lábio, elevação no sorriso e relação maxilomandibular.

Existe solução definitiva?

Depende da causa. Excesso gengival tem correção cirúrgica definitiva; alteração esquelética tem correção ortodôntica ou ortognática. O componente muscular, tratado com toxina, é temporário por natureza.

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