Quem não pode fazer preenchimento de olheiras: a lista que decide antes da agulha
Preenchimento de olheira é o procedimento facial que mais depende de saber quando não fazer. Quem não pode, quais os riscos, o que muda na gravidez e na amamentação, e o que evitar depois.
A olheira é a região do rosto onde o preenchimento mais depende de alguém dizer não.
A razão é anatômica. A pele abaixo dos olhos está entre as mais finas do corpo, fica sobre uma rede densa de vasos e segura mal o que se coloca embaixo dela. Um milímetro a mais de produto na testa passa despercebido. Embaixo do olho, vira bolsa, sombra azulada ou inchaço que não vai embora.
E tem um segundo problema, mais comum que o primeiro: boa parte das olheiras não é falta de volume. A pessoa chega pedindo preenchimento para algo que o ácido hialurônico não resolve, e às vezes piora.
Por isso esse texto começa pelo lado que quase ninguém escreve: quem não deveria fazer.
Quem não pode fazer preenchimento de olheiras
A lista se divide em dois grupos. As contraindicações de saúde, que valem para qualquer preenchimento, e as contraindicações de anatomia, que são específicas da olheira e as que mais geram resultado ruim.
Contraindicações de saúde
- Gestantes e lactantes. Não há estudo de segurança nesse período, e procedimento eletivo se adia. Falamos disso com mais calma abaixo.
- Infecção ativa na região, incluindo herpes em atividade, conjuntivite, terçol ou lesão de pele perto do olho.
- Alergia conhecida ao ácido hialurônico ou à lidocaína, que vem em muitos produtos. Histórico de reação grave a preenchimento anterior entra aqui.
- Doença autoimune em atividade. Com a doença controlada a conversa muda, mas precisa de avaliação caso a caso e, muitas vezes, conversa com quem acompanha o caso.
- Uso de anticoagulante ou distúrbio de coagulação. Aumenta muito o risco de hematoma numa área que já roxeia fácil. Nunca suspenda medicação por conta própria para fazer procedimento estético.
- Procedimento odontológico, vacina ou infecção recente. Pede intervalo, porque o organismo em estado inflamatório reage pior ao produto.
Contraindicações de anatomia
Aqui mora o erro mais frequente, e a revisão de Sharad (2012) sobre o sulco lacrimal separa bem os tipos de olheira justamente para isso:
- Bolsa de gordura saliente. Quando a sombra vem de gordura que se projeta para frente, preencher embaixo dela aumenta o volume total da área. O olho fica mais inchado, não mais descansado. Isso é assunto de cirurgia de pálpebra.
- Excesso de pele ou flacidez importante da pálpebra inferior. Produto não retrai pele. Coloca peso nela.
- Inchaço crônico e retenção na região (o edema que aparece de manhã e melhora ao longo do dia). O ácido hialurônico atrai água, e numa área que já retém, tende a piorar o quadro.
- Olheira de pigmento. A mancha escura de cor marrom, que não muda quando você estica a pele, é melanina. Não tem relação com volume, e preenchimento não clareia pigmento.
- Pele muito fina com vasos aparentes. Pode ser tratada em alguns casos, mas o risco de o produto aparecer por transparência, como um reflexo azulado, é bem maior.
- Preenchimento anterior ainda presente. Muita gente não sabe o que foi aplicado, nem quando, nem se ainda está lá. E produto antigo muda completamente o plano.
Vale a pena preencher as olheiras?
Vale quando a causa é o que o preenchimento trata: o sulco profundo, aquela depressão que separa a pálpebra da bochecha e cria sombra independentemente da cor da pele. Nesse caso o resultado costuma ser bom, discreto e o tipo de mudança que as pessoas notam como "você dormiu bem".
Não vale quando a causa é pigmento, bolsa, flacidez ou retenção. E é muito comum a olheira ser uma mistura dessas coisas. O preenchimento resolve só a parte que é volume, e ninguém deveria sair da consulta achando que ele resolve o resto.
Tem um terceiro cenário, que muda o plano inteiro: às vezes a olheira aparece porque a bochecha perdeu sustentação, e o sulco fundo é consequência. Tratar só embaixo do olho é tratar o sintoma. No nosso método, a queixa aponta o sintoma e o plano parte da estrutura do rosto inteiro, e em olheira isso faz muita diferença.
Quais os riscos de fazer preenchimento de olheiras?
Em ordem do mais comum para o mais raro:
- Hematoma e inchaço nos primeiros dias. Esperado, e na região dos olhos aparece mais.
- Excesso de produto ou produto superficial demais, que forma relevo, bolsa ou aquele tom azulado sob a pele. É o problema que mais se vê em olheira mal feita, e depende quase inteiramente de técnica e de quanto se colocou.
- Edema persistente, sobretudo em quem já tinha tendência a inchaço.
- Nódulos, pequenos caroços palpáveis.
- Compressão ou obstrução vascular. É raro, mas é a complicação que importa. A região ao redor dos olhos tem vasos que se comunicam com a circulação do olho, e é por isso que a olheira pede cuidado diferente de qualquer outra área.
Na RUV, o preenchimento é feito com avaliação por ultrassom Doppler antes e depois. Antes, para ver a estrutura daquele rosto, incluindo material de preenchimento de aplicações anteriores, que muda o plano (e às vezes cancela). Depois, para confirmar que não há compressão de vaso ou artéria. É o que transforma "é seguro" de promessa em verificação.
O preenchimento de olheiras pode dar errado?
Pode, e quando dá errado é visível. A boa notícia é que, com ácido hialurônico, existe reversão: a hialuronidase é uma enzima que dissolve o produto. Serve tanto para desfazer excesso ou produto mal posicionado quanto como resposta de urgência em caso de problema vascular.
É também o motivo pelo qual, na olheira, só faz sentido usar produto que pode ser desfeito. Bioestimulador ou qualquer material permanente embaixo do olho fecha essa porta.
O "deu errado" mais comum, porém, é outro. É fazer o procedimento em quem não tinha indicação: preencher bolsa, preencher pigmento, preencher inchaço. O produto ficou exatamente onde deveria. A indicação é que estava errada.
Pode fazer preenchimento de olheira grávida?
Não. Não existe estudo que sustente a segurança de preenchimento durante a gestação, e ninguém vai fazer esse estudo em grávidas. Diante disso, procedimento estético eletivo se adia. Não há ganho que justifique o risco, mesmo que pequeno e desconhecido.
Vale lembrar que na gravidez o corpo retém mais líquido e o rosto muda. A olheira que incomoda no sétimo mês pode nem estar lá seis meses depois.
Lactante pode fazer preenchimento de olheiras?
A recomendação é a mesma da gestação: esperar o fim da amamentação. O raciocínio é igual, sem estudo de segurança nesse período e nenhuma urgência que justifique.
Existe ainda um motivo prático. O puerpério é justamente a fase de menos sono da vida, e a olheira desse período costuma ter muito de cansaço, inchaço e pigmento. Avaliar e tratar nesse momento aumenta a chance de tratar a coisa errada.
Com quantos anos pode fazer preenchimento de olheiras?
Não existe uma idade certa, e desconfie de quem cravar uma. O que decide é a causa da olheira, não a data de nascimento.
Em quem é mais jovem, a olheira raramente vem de perda de volume. Costuma ser genética, de pigmento, ou vascular, e aí o preenchimento tem pouco a oferecer. Quando o sulco é anatômico e de família, pode haver indicação mais cedo, sempre em adulto e com expectativa bem conversada.
Com o tempo, o quadro fica mais misto: sulco mais fundo, mas também mais flacidez e mais chance de bolsa. É por isso que a mesma olheira pode ter indicação aos 35 e deixar de ter aos 60, quando a pele e a gordura da pálpebra passam a ser o problema principal.
Qual o preenchedor mais seguro para olheira?
Ácido hialurônico, registrado na Anvisa, de consistência adequada para a região. A escolha do produto para a olheira segue a lógica de ser macio o bastante para não marcar sob uma pele fina e atrair pouca água para não inchar. O detalhe de marca e reticulação é decisão técnica de consultório.
Dois critérios de segurança valem mais que o nome do produto:
- Que ele possa ser revertido. Por isso ácido hialurônico, e não outra coisa.
- Que a quantidade seja pequena. A olheira tolera muito pouco. Quem sai com o sulco completamente apagado provavelmente recebeu mais do que devia, e o resultado vai aparecer como bolsa em alguns meses.
O que não pode fazer depois do preenchimento
As precauções são curtas e servem para não deslocar o produto nem aumentar o inchaço:
- Não massagear, apertar ou esfregar a região, a não ser que a profissional oriente o contrário.
- Evitar dormir de bruços ou com o rosto apoiado nos primeiros dias.
- Evitar exercício intenso, sauna e calor forte logo após o procedimento.
- Evitar álcool no dia, pelo risco maior de hematoma.
- Maquiagem na área só depois de liberado, porque os pontos de entrada ficam abertos por algumas horas.
- Não avaliar o resultado nos primeiros dias. Inchaço na olheira é esperado e dá uma falsa impressão de excesso. Retoque se decide depois que ele assenta.
E um item que não está em lista nenhuma: qualquer dor forte, palidez ou mudança de cor da pele, ou alteração da visão exige contato imediato com a clínica. É raro, e é exatamente o cenário em que tempo importa.
Quando não indicamos
- Quando a olheira é pigmento. Preenchimento não clareia mancha.
- Quando há bolsa de gordura saliente. Preencher embaixo aumenta o volume. É caso de cirurgião, e dizemos isso na avaliação.
- Quando há inchaço crônico na região. O produto tende a piorar.
- Quando o Doppler mostra produto antigo ou uma estrutura que muda o plano. Às vezes o primeiro passo é dissolver, não acrescentar.
- Gestação e amamentação. Procedimento eletivo se adia.
- Infecção ativa, alergia ao produto ou doença autoimune descompensada.
- Quando o pedido é apagar o sulco por completo. A olheira bem tratada suaviza a sombra e mantém o olho parecido com o seu. Apagar tudo exige volume que a região não sustenta.
Naturalidade, para nós, é critério de indicação: um procedimento se mede pelo que ele preserva. Em olheira, preservar costuma significar colocar menos e, às vezes, não colocar nada.
Perguntas frequentes
Quem não pode fazer preenchimento de olheiras?
Gestantes, lactantes, quem tem infecção ativa na região, alergia ao produto ou doença autoimune em atividade. E, do ponto de vista da anatomia, quem tem bolsa de gordura saliente, flacidez importante, inchaço crônico ou olheira de pigmento.
É perigoso aplicar ácido hialurônico nas olheiras?
É uma das regiões de maior exigência técnica do rosto, por causa da pele fina e da proximidade com vasos ligados à circulação do olho. Com indicação correta, produto reversível, pouca quantidade e verificação por imagem, o risco cai muito. Mas continua existindo, e quem disser o contrário está simplificando.
Quais são os efeitos colaterais do preenchimento de olheiras?
Os comuns são inchaço e roxo nos primeiros dias. Os que dependem de técnica são excesso de produto, relevo e tom azulado. O raro e sério é a compressão vascular, que é o que o Doppler depois do procedimento serve para descartar.
Quanto tempo dura o preenchimento de olheiras?
Varia com o produto, o metabolismo e a quantidade aplicada, e na região dos olhos o produto costuma permanecer mais do que se imagina. Por isso, antes de reaplicar, vale verificar o que ainda está lá.
Quem fez preenchimento em outro lugar pode fazer de novo?
Pode, depois de avaliação. Produto remanescente é uma das causas mais comuns de olheira que "piorou com o tempo", e acrescentar mais sem ver o que existe é o caminho mais curto para o excesso.
Preenchimento resolve olheira escura?
Resolve a sombra causada pelo sulco. Não resolve a cor da pele. Se a olheira continua escura quando você estica a pele com o dedo, o componente principal é pigmento, e o tratamento é outro.
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Referências
- Sharad J. Dermal fillers for the treatment of tear trough deformity: a review of anatomy, treatment techniques, and their outcomes. J Cutan Aesthet Surg. 2012. https://doi.org/10.4103/0974-2077.104910
- Anvisa — consulta de produtos registrados. https://consultas.anvisa.gov.br/
