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Quem não pode fazer preenchimento de olheiras: a lista que decide antes da agulha

Preenchimento de olheira é o procedimento facial que mais depende de saber quando não fazer. Quem não pode, quais os riscos, o que muda na gravidez e na amamentação, e o que evitar depois.

10 min de leitura

A olheira é a região do rosto onde o preenchimento mais depende de alguém dizer não.

A razão é anatômica. A pele abaixo dos olhos está entre as mais finas do corpo, fica sobre uma rede densa de vasos e segura mal o que se coloca embaixo dela. Um milímetro a mais de produto na testa passa despercebido. Embaixo do olho, vira bolsa, sombra azulada ou inchaço que não vai embora.

E tem um segundo problema, mais comum que o primeiro: boa parte das olheiras não é falta de volume. A pessoa chega pedindo preenchimento para algo que o ácido hialurônico não resolve, e às vezes piora.

Por isso esse texto começa pelo lado que quase ninguém escreve: quem não deveria fazer.

Quem não pode fazer preenchimento de olheiras

A lista se divide em dois grupos. As contraindicações de saúde, que valem para qualquer preenchimento, e as contraindicações de anatomia, que são específicas da olheira e as que mais geram resultado ruim.

Contraindicações de saúde

Contraindicações de anatomia

Aqui mora o erro mais frequente, e a revisão de Sharad (2012) sobre o sulco lacrimal separa bem os tipos de olheira justamente para isso:

Vale a pena preencher as olheiras?

Vale quando a causa é o que o preenchimento trata: o sulco profundo, aquela depressão que separa a pálpebra da bochecha e cria sombra independentemente da cor da pele. Nesse caso o resultado costuma ser bom, discreto e o tipo de mudança que as pessoas notam como "você dormiu bem".

Não vale quando a causa é pigmento, bolsa, flacidez ou retenção. E é muito comum a olheira ser uma mistura dessas coisas. O preenchimento resolve só a parte que é volume, e ninguém deveria sair da consulta achando que ele resolve o resto.

Tem um terceiro cenário, que muda o plano inteiro: às vezes a olheira aparece porque a bochecha perdeu sustentação, e o sulco fundo é consequência. Tratar só embaixo do olho é tratar o sintoma. No nosso método, a queixa aponta o sintoma e o plano parte da estrutura do rosto inteiro, e em olheira isso faz muita diferença.

Quais os riscos de fazer preenchimento de olheiras?

Em ordem do mais comum para o mais raro:

Na RUV, o preenchimento é feito com avaliação por ultrassom Doppler antes e depois. Antes, para ver a estrutura daquele rosto, incluindo material de preenchimento de aplicações anteriores, que muda o plano (e às vezes cancela). Depois, para confirmar que não há compressão de vaso ou artéria. É o que transforma "é seguro" de promessa em verificação.

O preenchimento de olheiras pode dar errado?

Pode, e quando dá errado é visível. A boa notícia é que, com ácido hialurônico, existe reversão: a hialuronidase é uma enzima que dissolve o produto. Serve tanto para desfazer excesso ou produto mal posicionado quanto como resposta de urgência em caso de problema vascular.

É também o motivo pelo qual, na olheira, só faz sentido usar produto que pode ser desfeito. Bioestimulador ou qualquer material permanente embaixo do olho fecha essa porta.

O "deu errado" mais comum, porém, é outro. É fazer o procedimento em quem não tinha indicação: preencher bolsa, preencher pigmento, preencher inchaço. O produto ficou exatamente onde deveria. A indicação é que estava errada.

Pode fazer preenchimento de olheira grávida?

Não. Não existe estudo que sustente a segurança de preenchimento durante a gestação, e ninguém vai fazer esse estudo em grávidas. Diante disso, procedimento estético eletivo se adia. Não há ganho que justifique o risco, mesmo que pequeno e desconhecido.

Vale lembrar que na gravidez o corpo retém mais líquido e o rosto muda. A olheira que incomoda no sétimo mês pode nem estar lá seis meses depois.

Lactante pode fazer preenchimento de olheiras?

A recomendação é a mesma da gestação: esperar o fim da amamentação. O raciocínio é igual, sem estudo de segurança nesse período e nenhuma urgência que justifique.

Existe ainda um motivo prático. O puerpério é justamente a fase de menos sono da vida, e a olheira desse período costuma ter muito de cansaço, inchaço e pigmento. Avaliar e tratar nesse momento aumenta a chance de tratar a coisa errada.

Com quantos anos pode fazer preenchimento de olheiras?

Não existe uma idade certa, e desconfie de quem cravar uma. O que decide é a causa da olheira, não a data de nascimento.

Em quem é mais jovem, a olheira raramente vem de perda de volume. Costuma ser genética, de pigmento, ou vascular, e aí o preenchimento tem pouco a oferecer. Quando o sulco é anatômico e de família, pode haver indicação mais cedo, sempre em adulto e com expectativa bem conversada.

Com o tempo, o quadro fica mais misto: sulco mais fundo, mas também mais flacidez e mais chance de bolsa. É por isso que a mesma olheira pode ter indicação aos 35 e deixar de ter aos 60, quando a pele e a gordura da pálpebra passam a ser o problema principal.

Qual o preenchedor mais seguro para olheira?

Ácido hialurônico, registrado na Anvisa, de consistência adequada para a região. A escolha do produto para a olheira segue a lógica de ser macio o bastante para não marcar sob uma pele fina e atrair pouca água para não inchar. O detalhe de marca e reticulação é decisão técnica de consultório.

Dois critérios de segurança valem mais que o nome do produto:

O que não pode fazer depois do preenchimento

As precauções são curtas e servem para não deslocar o produto nem aumentar o inchaço:

E um item que não está em lista nenhuma: qualquer dor forte, palidez ou mudança de cor da pele, ou alteração da visão exige contato imediato com a clínica. É raro, e é exatamente o cenário em que tempo importa.

Quando não indicamos

Naturalidade, para nós, é critério de indicação: um procedimento se mede pelo que ele preserva. Em olheira, preservar costuma significar colocar menos e, às vezes, não colocar nada.

Perguntas frequentes

Quem não pode fazer preenchimento de olheiras?

Gestantes, lactantes, quem tem infecção ativa na região, alergia ao produto ou doença autoimune em atividade. E, do ponto de vista da anatomia, quem tem bolsa de gordura saliente, flacidez importante, inchaço crônico ou olheira de pigmento.

É perigoso aplicar ácido hialurônico nas olheiras?

É uma das regiões de maior exigência técnica do rosto, por causa da pele fina e da proximidade com vasos ligados à circulação do olho. Com indicação correta, produto reversível, pouca quantidade e verificação por imagem, o risco cai muito. Mas continua existindo, e quem disser o contrário está simplificando.

Quais são os efeitos colaterais do preenchimento de olheiras?

Os comuns são inchaço e roxo nos primeiros dias. Os que dependem de técnica são excesso de produto, relevo e tom azulado. O raro e sério é a compressão vascular, que é o que o Doppler depois do procedimento serve para descartar.

Quanto tempo dura o preenchimento de olheiras?

Varia com o produto, o metabolismo e a quantidade aplicada, e na região dos olhos o produto costuma permanecer mais do que se imagina. Por isso, antes de reaplicar, vale verificar o que ainda está lá.

Quem fez preenchimento em outro lugar pode fazer de novo?

Pode, depois de avaliação. Produto remanescente é uma das causas mais comuns de olheira que "piorou com o tempo", e acrescentar mais sem ver o que existe é o caminho mais curto para o excesso.

Preenchimento resolve olheira escura?

Resolve a sombra causada pelo sulco. Não resolve a cor da pele. Se a olheira continua escura quando você estica a pele com o dedo, o componente principal é pigmento, e o tratamento é outro.

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Referências